Uma chance a Paulo Coelho (?)
Ok, eu me rendo. A deliciosa (e surpreendente) leitura de "O Mago", biografia de Paulo Coelho escrita por Fernando Morais, o mago da biografia no Brasil - ao lado de Ruy Castro, é evidente - me fez ter sincera vontade de ler um livro do Sr. Coelho. Não qualquer um, mas especificamente "O Demônio e a Srta. Prym", cujo enredo me pareceu especialmente interessante, lembrou até uma possibilidade de roteiro cinematográfico. (Menciono, aqui, dado que me surpreendeu: Tarantino quis filmar "O Alquimista", mas os direitos já estavam comprados.)
Não quero parecer um daqueles críticos estúpidos que fazem a linha "não li e não gostei" e nem aqueles fãs desesperados que se acotovelam em feiras de livros e centros de convenções no Brasil, no Egito, na França ou na Austrália. Já li dois livros dele, "O Alquimista" e "Veronika Decide Morrer" e, bom, na época, há cerca de dez anos, achei vagamente interessante, apesar de não ter me aventurado em outros títulos do autor e de, anos depois, no Canadá, renegar publicamente aquele que seria o único escritor brasileiro conhecido de um dos meus mais queridos professores, Kevin (pensando bem, será que ele realmente não conhecia nenhum outro ou simplesmente não lembrou na hora? Kevin era o tipo do sujeito bem informado, um Jorge Amado pelo menos ele devia conhecer). "We don't really like him", foi o que eu disse. A que Kevin respondeu, "é, Paulo Coelho deve ser, no Brasil, algo como o que a Celine Dion é no Canadá".
A que "we" eu me referia pergunto-me agora, tendo quase terminado a leitura de "O Mago". Que eu não gosto mesmo é fato, apesar de já ter encomendado no Submarino (a custo 0, eu tinha um vale trocas) "O Demônio e a Srta. Prym". Mas alguém que vende como Paulo Coelho (100 milhões de livros, traduzidos para mais línguas do que Shakespeare, já em cena há 400 anos) mereceria, por si só, a leitura de uma biografia. Dono de uma vida tão peculiar, então, nem se fale. Biografia escrita por Fernando Morais, já vendida em trinta países? Corri para a livraria e não me arrependi.
Se estou sendo basicamente apedrejada em praça pública a andar com "O Mago" por aí - apesar de já ter despertado o interesse de alguns incrédulos, só com a sinopse da biografia, ao confessar publicamente que comprei um livro do tal autor, então, não quero nem vem o que me espera. No meu íntimo, espero que o livro seja bom, apesar de o desejo de ler vir mais de curiosidade do que de qualquer outra coisa. Acho, ainda, que Paulo Coelho não mata (apesar de que, na primeira vez que encostou em um volante, quase matou um menino de sete anos) e nem emburrece. Continuo a sempre fiel leitora de Ericos, Sabinos, Gabriéis, Scotts e Daltons. Que, mesmo não rendida ao fenômeno Paulo Coelho, o entende melhor, e certamente o respeita mais. Mais uma chance, portanto, ao autor. Quero entender melhor o que a biografia está me mostrando: o que o mundo precisa, mais do que de livros com tom infantilizado, é de alento.
posted by MAÍRA BUENO at 11:31 AM