Ontem a Auxiliadora (que foi casada com um tio-avô meu) faleceu. Hoje fomos lá na tia Halza (minha tia-avó de verdade, quase mãe do meu pai depois que minha avó morreu... é, minha família é meio confusa), que era a melhor amiga da Auxiliadora. (É estranho. Sinto a morte da Auxiliadora somente agora, que a vi, de certa forma. Não fiquei sabendo de seu velório a tempo. Uma pena, ela era uma pessoa muito boa para todos nós, sempre tão dedicada e calma.) Tia Halza está simplesmente péssima. Foi de partir o coração. Nunca na vida tinha imaginado que justo a tia Halza, que fala pelos cotovelos, ia dizer:
- É, eu não estou conseguindo falar.
E ela está mal fisicamente: vomitou umas três vezes no pouco tempo em que estivemos lá. Fizemos de tudo para trazê-a para casa, mas ela mora sozinha desde sempre, não gosta de sair à noite. Acho que, como diz minha mãe, ela sabe de si.
Tia Halza contou que segunda-feira esteve com Auxiliadora no hospital (tentaram esconder dela que a amiga estava no CTI, mas ela acabou descobrindo). Ela disse que passou a mão no rosto dela e disse:
- Dora, estou ao seu lado como você sempre esteve do meu. Os médicos disseram que você está boa e logo vamos poder fazer uma farrinha.
A tal farrinha, ela explicou, era levar a sobrinha, ainda criança, para comer cachorro-quente e tomar Coca-cola nas Lojas Americanas. Diz também que Auxiliadora tentou se manifestar, mas ela já estava com a saúde muito debilitada...
Ano passado tive que encarar a morte duas vezes, e entendi um pouco, eu acho, do que é amar tanto uma pessoa e só conseguir partir depois que ela se vai - mesmo que todos jurassem que ele era mais fraco do que ela, ele a esperou para morrer. Hoje acho que tive uma lição sobre a amizade. Sobre a amizade como amor incondicional..
Não estou bem. Sinto falta das suas palavras, sempre sábias, nesse momento...
posted by MAÍRA BUENO at 9:06 PM
Não tive uma semana muito boa. Perdi um emprego, vacilei em outro, meu time está jogando cada vez pior, estou me sentindo pobre e achando minha monografia muito desconexa e superficial (mas meu orientador disse que é assim mesmo, considerando a complexidade e a amplitude do meu tema e o meu limite de páginas. Ele, aliás, é uma graça, meu professor, chefe, orientador, mestre e guru..)
Mas, mudando de assunto, ou voltando ao assunto, além de ter valido a pena porque a alma não é pequena, também valeu para eu ficar mais alerta. Tem mais gente cretina e mau caráter no mundo do que eu pensava. Confuso, né? Sei lá, nem estou tão triste. Só meio desanimada, baqueada por ter tido uma rotina tão louca, ter me envolvido tanto e depois ter sido demitida da forma mais tosca, estar convicta de ter sido usada e não ter mais tanta coisa para fazer assim.
Alguém tem um emprego aí para me arrumar?
posted by MAÍRA BUENO at 8:35 PM